O futebol brasileiro e, em especial, a torcida palmeirense, amanheceram mais tristes nesta sexta-feira com a notícia do falecimento de Leivinha, um dos maiores ídolos da história do Palmeiras e ex-integrante da Seleção Brasileira. Aos 76 anos, João Leiva Campos Filho nos deixou, mas seu legado de talento, gols e jogadas memoráveis permanecerá eternamente gravado na memória dos amantes do esporte. A partida de Leivinha representa o adeus a uma das figuras mais emblemáticas da chamada Segunda Academia do Verdão, um período glorioso que encantou o país com um futebol arte e vitorioso.
O Início de Uma Lenda
Nascido em Novo Horizonte, interior de São Paulo, em 11 de setembro de 1949, Leivinha começou sua trajetória no futebol nas categorias de base do Bauru Atlético Clube, a mesma equipe que revelou Pelé. Seu talento precoce logo chamou a atenção, e ele não demorou a dar os primeiros passos no futebol profissional, defendendo as cores da Portuguesa. Foi no Canindé que o jovem atacante começou a mostrar seu vasto repertório: habilidade ímpar, visão de jogo aguçada, dribles desconcertantes e um faro de gol apurado. Em pouco tempo, Leivinha se consolidou como uma das grandes promessas do futebol paulista, atraindo os olhares dos gigantes da capital.
A Segunda Academia e o Brilho no Palmeiras
Em 1971, Leivinha chegou ao Palmeiras, um clube que já havia construído uma história rica, mas que estava prestes a iniciar um dos capítulos mais brilhantes de sua trajetória. Ele se juntou a um elenco estelar, que contava com nomes como Ademir da Guia, Dudu, Luís Pereira, César Maluco, entre outros, formando o que ficou conhecido como a “Segunda Academia”. Era um time que aliava técnica, tática e muita raça, praticando um futebol ofensivo e envolvente que dominou o cenário nacional. Leivinha, com sua elegância e capacidade de decidir partidas, rapidamente se tornou uma peça fundamental desse esquadrão.
Durante sua passagem pelo Verdão, que durou de 1971 a 1975, Leivinha conquistou títulos importantes que cimentaram seu status de ídolo. Ele foi bicampeão brasileiro em 1972 e 1973, além de levantar o Campeonato Paulista em 1972 e 1974. Sua parceria com Ademir da Guia era quase telepática, com o “Divino” distribuindo passes açucarados para as arrancadas e finalizações precisas de Leivinha. Foram 105 gols em 263 jogos com a camisa alviverde, números que o colocam entre os maiores artilheiros da história do clube. Sua capacidade de flutuar entre as linhas, criar jogadas e finalizar com precisão o tornava um atacante completo, temido por qualquer defesa adversária.
Estilo de Jogo e Impacto
O que mais impressionava em Leivinha era sua inteligência tática e sua versatilidade. Ele não era apenas um finalizador; era um criador, um articulador. Sua movimentação sem bola abria espaços para os companheiros, e seus dribles curtos e rápidos muitas vezes desequilibravam a marcação. Com um porte físico atlético para a época, Leivinha conseguia aliar força e técnica, características que o tornavam um jogador à frente de seu tempo. Ele era a personificação do futebol arte, mas com a eficácia necessária para ser decisivo nos momentos cruciais.
A Carreira Internacional e a Seleção Brasileira
O talento de Leivinha não passou despercebido pela Seleção Brasileira. Ele vestiu a camisa amarelinha em 27 oportunidades, marcando 7 gols. Embora não tenha participado de uma Copa do Mundo devido a lesões e ao forte concorrência da época, Leivinha foi peça importante em diversas convocações e jogos preparatórios, demonstrando seu valor em nível internacional. Sua qualidade era inegável, e muitos lamentam que as circunstâncias não o tenham permitido brilhar ainda mais em Mundiais.
Após a fase de glória no Palmeiras, Leivinha alçou voos mais altos e se transferiu para o futebol europeu, mais precisamente para o Atlético de Madrid, na Espanha, em 1975. Lá, ele continuou a demonstrar seu talento, conquistando o Campeonato Espanhol na temporada 1976/77 e a Copa do Rei em 1976. No clube espanhol, Leivinha se tornou um dos primeiros grandes ídolos brasileiros a deixar sua marca no futebol europeu, abrindo caminho para muitos outros que viriam depois. Sua passagem pela Europa foi marcada por lesões que abreviaram sua carreira, mas seu impacto nos Colchoneros é lembrado com carinho até hoje.
O Legado de um Verdadeiro Craque
Mesmo após encerrar sua carreira como jogador, Leivinha sempre manteve uma ligação forte com o futebol, especialmente com o Palmeiras. Ele era frequentemente homenageado e participava de eventos relacionados ao clube, sendo sempre recebido com o carinho e o respeito que um ídolo de sua estatura merece. Sua morte, aos 76 anos, encerra um ciclo, mas não apaga a memória de um jogador que representou a essência do futebol brasileiro: técnica apurada, criatividade e alegria em campo.
A partida de Leivinha deixa um vazio no coração dos torcedores, mas também reforça a importância de preservar a memória de grandes atletas que construíram a história do nosso esporte. Ele será lembrado como um dos pilares da Segunda Academia, um atacante elegante e letal, um verdadeiro gênio que honrou a camisa do Palmeiras e da Seleção Brasileira. Que sua trajetória inspire novas gerações a buscar a excelência e a paixão pelo futebol, assim como ele fez em cada gramado que pisou.
O Rádio Social Plus Brasil presta suas mais sinceras condolências à família, amigos e fãs de Leivinha. Seu brilho em campo será eterno.






